
"- Mãe, cola a cabeça do meu dinossauro! Cola a roda do carrinho, também...cola esse envelope, cola aqui, cola ali..."
Ele é prático, resolve as coisas em um passe de mágica, ou em uma passada de cola, tanto faz.
Aos 8 meses, desenvolvi Diabetes gestacional. Passei 12 dias no hospital, para avaliações, e precisei usar insulina, para equilibrar a glicose. Não podia nem imaginar a possibilidade de fazer as aplicações, morria de medo, de dor. Meu médico disse que chamaria meu marido, que as enfermeiras o ensinariam a fazer. Em um primeiro momento, concordei, mas, à noite, quando ele foi me ver, como sempre ia, fez uma cara de desalento, quando eu contei isso...ficou apavorado. Foi aí que eu vi, que era um momento de superação minha, que era eu que precisava fazer.
Quando a enfermeira chegou ao quarto, eu mesma fiz o HGT, e apliquei a insulina, na coxa. Meu medo passou todinho, quando vi o medo no rosto dele. Ele, que tantas e tantas vezes foi forte por nós dois, precisava que eu fizesse isso, naquela hora. E era hora de ser forte por três. Eu fui.
Recebi alta, e passei mais de 3 semanas em casa, antes da cesárea, fazendo as aplicações (3, por dia), e os testes (4, por dia). Em pouco tempo, já estava craque, quase nem sentia mais dor.
Foi uma provação, saímos vencedores. Não ficou marca, só aprendizado. E não precisou de cola.

